Os crimes de violência psicológica e moral praticados pela internet contra mulheres cresceram mais de 1.300% em uma década no Estado do Rio.
Em 2025, foram 5.970 vítimas, média de 16 meninas e mulheres atingidas por dia, segundo o Dossiê Mulher 2026, do Instituto de Segurança Pública.
O estudo também traz um recorte sobre a disseminação de discursos de ódio e do movimento redpill nas redes sociais, apontando como a misoginia se adapta ao ambiente digital e amplia diferentes formas de violência de gênero.
No primeiro ano da série histórica, em 2015, haviam sido contabilizadas 239 vítimas de violências psicológicas e morais cometidas em ambiente virtual.
Em 2025, desse total de 5.970 vítimas, 3.417 foram de violência psicológica, correspondendo a 5,7% de todas as ocorrências registradas no estado.
O levantamento também mostra que os ambientes digitais passaram a ser utilizados para descumprir medidas protetivas de urgência.
Em 2025, quase um em cada dez descumprimentos ocorreu por meio de redes sociais, mensagens por aplicativos e até transferências via PIX utilizadas para monitorar, perseguir ou manter contato com as vítimas.
O Dossiê apresenta ainda uma análise inédita sobre as narrativas de violência digital e o movimento redpill na plataforma X.
A edição de 2026 também revela que a violência psicológica segue sendo, pelo quinto ano consecutivo, a forma de violência mais recorrente contra mulheres no estado.
Em 2025, foram 59.742 vítimas, média de 164 casos por dia, evidenciando o uso recorrente de práticas de intimidação, controle, humilhação e manipulação por parte dos agressores.
Ao longo de 2025, 159.041meninas e mulheres sofreram algum tipo de violência no Estado do Rio, o equivalente a aproximadamente 18vítimas por hora.
O levantamento aponta que 105 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025.
Os dados também mostram que 67,3% dos autores possuíam antecedentes criminais e que 78,2% dos feminicídios tiveram como motivação conflitos relacionados a ciúmes, separação, suspeita de traição ou discussões consideradas banais
Em quase metade dos casos (46,4%), os autores estavam sob efeito de álcool ou drogas. Entre as vítimas, 59% eram mães, e, desse grupo, 71% deixaram filhos menores de idade.
As tentativas de feminicídio caíram 19,6% em relação ao ano anterior.




