Após o Ministério Público Federal anunciar a atuação no espaço, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o engenheiro Luiz Guinle, um dos proprietários do imóvel, projetado na década de 1940, se manifestou oficialmente.
Segundo Guinle, desde que encerrou as atividades, em 2004, o hotel passou por várias reformas, desde instalação de quadro elétrico, substituição de base de coluna, recuperação total do telhado em 2016 e 2023, além de sustentação da estrutura em dois locais onde as respectivas vigas haviam cedido.
Construído para ser temporário, o hotel se tornou um ícone da arquitetura moderna brasileira e já ultrapassa oito décadas de existência.
Na opinião do proprietário, não há como fazer intervenções parciais num imóvel tombado, mas sim abrangentes, inseridas em projeto submetido à análises e devidas aprovações pelo Iphan.
O que tem sido feito nesses últimos anos são intervenções pontuais e emergências, todas elas comunicadas e vistoriadas presencialmente por técnicos pelo Instituto, através do escritório do órgão, em Petrópolis.
Segundo Guinle, neste ano, foi obtida aprovação inicial do Iphan e PRONAC, o Programa Nacional de Apoio à Cultura para captar recursos e iniciar um novo projeto, em duas fases.
Na primeira, o objetivo são obras emergenciais e custeio de projetos das novas instalações; a segunda prevê realizar todas as obras necessárias para colocar o imóvel em condições de acolher um novo destino.
O proprietário, inclusive defende a transformação do espaço em um centro que reuniria todos os atrativos de Nova Friburgo, como uma espécie de central de oportunidades, além de outras possibilidades.
Para executar o projeto, ele conta com a parceria do Instituto Traço, especializado em restauro de bens patrimoniais históricos, responsável por gerir a captação de recursos, atualmente na fase de admissibilidade, com um ano de prazo para conseguir o montante de 20% dos recursos necessários para execução do plano integral.
Inicialmente são necessários R$ 1,6 milhões para começar a primeira fase.
Quanto à área IV, onde há um projeto de loteamento na propriedade logo abaixo do hotel, Luiz Guinle diz que o assunto está sendo avaliado pelo MPF, em razão de objeção da Fundação Dom João VI.
Segundo ainda Guinle, inclusive Presidentes do Country Clube manifestaram, por vezes, interesse em eventual empreendimento no local, considerando os futuros condôminos como frequentadores e fator de valorização do Clube.
Segundo o Ministério Público Federal, os dois espaços são investigados por falta de cuidados com a manutenção.
Em relação ao Park Hotel, em um primeiro procedimento, o MPF acompanhou a preservação do local, após denúncias de abandono e má conservação.
Em maio deste ano, foi determinado que os responsáveis pelo imóvel fossem notificados da denúncia e informassem as medidas adotadas ou previstas para a conservação e preservação que encontra-se em processo de deterioração.
A apuração no Lote IV da Cidade Jardim Parque São Clemente, foi iniciado após comunicado da Fundação Dom João VI ao MPF sobre a existência de um proposta de loteamento da área.
O projeto levantou a preocupação da Fundação, quanto à preservação do conjunto histórico e paisagístico.
O Iphan também abriu processo administrativo para analisar a intervenção proposta.




